brincar de amores possíveis


não tenho mais idade para amores platônicos.
era o que eu achava, mas amores platônicos já dizem tudo, são por si só autossuficientes.

toda timidez do mundo pertence a mim, sem dúvidas.
dizer um simples "oi" é mais difícil do que aprender a andar de bicicleta depois dos cinquenta.

é claro que não falo de coisas impossíveis e sim de coisas difíceis.
acho que devo ser a única pessoa da minha idade que não sabe andar de bicicleta ainda.
não que eu me envergonhe disso, gosto de ser diferente nesse aspecto.

não tenho mais idade para ficar suspirando pelos cantos.
isso é até ridículo.
não que eu me importe com o que os outros venham a pensar, sou eu que acho isso ridículo.

que irônico!
as pessoas desejam tanto um novo amor.
acho que não tenho vontade ou disposição para me preocupar com outro alguém no momento.
sentir ciúmes, decepção, brigar por qualquer coisa e depois fazer as pazes é muito cansativo.

simplesmente acho que não tenho mais idade para me apaixonar pelo meu professor de francês.

não que eu esteja desistindo antes mesmo de tentar, mas sinto como se não valesse a pena fazer isso.
tentar me aproximar, fazê-lo me notar...
o quanto eu entregaria de mim mesma nessa brincadeira de tornar meus amores reais?

acho que eu apenas deveria frequentar às aulas e me esforçar em aprender o idioma.
mas e aquele olhar?
embora eu suspeite que eu lhe causo alguma inquietação, seria recíproco ou seria apenas a minha imaginação fértil e irresponsável tentando me enganar?

é mais sensato deixar as paixões avassaladoras para os escritores brilhantes, já que os amores de papel emocionam muito mais do que tentar dar vida ao improvável...

k.c.
17/09/2012

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