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Mostrando postagens de 2020

aprendizado

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fique com alguém que respeite sua intensidade, seus hiatos, suas tempestades, suas cicatrizes... fique com alguém que não venha pela metade. kauana costa 02/12/2018

incógnita

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às vezes parece amor, mas é apenas vício não que eu ache divertido mas se eu passar por tua vida como uma incógnita e... for embora... até que ponto você tentou me decifrar? k.c. 10/06/2015

bodas

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houve um tempo em que eu achava que nada de poético se podia tirar de coisas felizes, pois se havia felicidade, não tinha tempo para gastar com caneta e papel... o tempo só se perde quando a felicidade se vai, a dor ocupa espaço, o tempo torna-se ocioso, algoz persistente, e é nessas horas que as palavras saem, que os nunca ditos fluem para ouvidos que nunca escutarão, corações que nunca sentirão... porque é nos momentos de solidão e de tristeza que a dor se transforma, se não em música - canções belas de amores perdidos - ou ao menos em poesia - versos tristes e melódicos que escondem os soluços seguidos de lágrimas... kauana costa 28/07/2019

poema dos ditos e inter-ditos

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dos olhares incapazes de transmitir das mãos nervosas a esconderem-se do corpo que se move apreensivo dos ditos e inter-ditos... as emoções que não te alcançam o aconchego que não te acolhe o calor que não te esquenta as palavras que não te emocionam... olhos que não se veem mãos que não se acariciam peles que não se tocam lábios que não se falam... kauana costa 22/12/2018

poema do transitório

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cruzes na beira da estrada. a vegetação avermelhada das chamas de outrora. florestas vazias, sem o som de vidas presentes. uma estrada silenciosa sobrevoada por urubus. vastidão sem sentido, travestida de uma paz aparente e inexistente. k.c. 08/12/2018

poema da indiferença

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seus olhos me chamam, me desnudam... mas você não me vê. kauana costa 04/12/2018

poema das inconsistências

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sempre que nossos olhos se cruzam, penso que você não sente nada... e por que sentiria? você não me conhece: sou apenas passageira. kauana costa 12/11/2018

pomar

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a meu avô eu não tive tempo de te dizer, mas meu sonho desde criança sempre foi escrever um livro e ter um abacateiro... falei para minha mãe e ela lembrou: - você queria um abacateiro, uma pitombeira, um jambeiro... haja quintal! um abacateiro? não sei ainda por quê... uma pitombeira, também não sei... acho que gosto da ideia de árvores, de troncos fortes, de raízes firmes... um jambeiro eu queria pelo tapete aveludado, pelo fúcsia que tinge o chão, pelas lembranças inconsoláveis das memórias que carrego no coração. um jambeiro com raízes antigas, saltadas, torcidas e grossas, de onde, muitas vezes, eu te vi, sentado, contando histórias... quero um jambeiro, vô, para poder olhar para ele e me lembrar todos os dias do seu sorriso largo e de sua sabedoria milenar... kauana costa 07/11/2018

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todo jambeiro que eu vejo por aí me faz lembrar de você me faz lembrar das tardes em que eu o via sentado nas raízes do jambeiro perto da linha férrea tão perto da sua casa e agora tão perto do único lugar em que eu o verei todos os dias: nas minhas memórias inconsoláveis k.c. 07/11/2017

poema das memórias

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houve um tempo em que havia escadas para chegar ao teu corpo... escadas intermináveis que levavam a várias moradas: às varias moradas de você... houve um tempo em que havia um caminho para chegar até você... um caminho estreito e árduo que protegia seu amor de toda aproximação sorrateira: de toda aproximação enganosa. houve um tempo em que eu apenas escrevia poemas para te gravar eternamente na minha alma... poemas curtos e impublicáveis que carregavam toda a dor da tua beleza: toda a minha dor de te amar tão intensamente. kauana costa 08/09/2017

poema do cansaço e da espera

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eu vejo as fotos dos lugares que as pessoas postam... sempre me parecem de outro mundo. distantes. irreais. ainda estou muito cansada, o corpo pesado... enquanto apodreço e agonizo, espero por mais um dia... quem sabe... um alívio... o descanso. kauana costa 02/09/2017

poema para celebrar teus olhos risonhos

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e porque fazia muito tempo que não escrevia, queria ressuscitar fantasmas... os fantasmas das palavras nunca ditas... dos desejos nunca realizados... do meu coração em frangalhos... o velho poeta que falava do infinito enquanto dure não sabia do peso da dor do adeus... ou pior... do adeus que sequer foi dado. do amor que apenas se foi antes de ter começado. kauana costa 18/06/2017

poema das galáxias infinitas

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meu mundo é o das letras dos sons, dos versos... meus olhos traduzem o que diz meu pequeno universo... mas meu corpo não. meu corpo nu é poesia silenciosa. e minha poética canta minha alma. um punhado de palavras, frases poderosas timbradas na pele, são essas falas, esses gritos que quero ler ver sentir gravados, em autorrelevo, como tatuagens nas linhas sinuosas do meu corpo que não será mais poesia silenciosa, mas universo multiverso das palavras que me escrevem. kauana costa 25/03/2017

poema dos retratos ensaiados

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você que me vê com essa roupa e acha que eu estou deslumbrante... eu estou. o que importa é o que se vê. o que aparenta ser. e é o que eu quero. o que sinto pouco importa. é ano novo! Pose pra foto! A família toda reunida. sorrisos... - você está linda! o lado de fora não traduz o lado de dentro. eu estou deslumbrante. a gente só tira a maquiagem antes de dormir... kauana costa 31/12/2016

poema da primeira vez que te vi

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e fui arrastada por esse teu olhar... olhos negros hipnotizantes... qual sibila misteriosa do oráculo... fui arrastada como ímã atraída pelo teu magnetismo. kauana costa 06/12/2016

hold my hand

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look... i carry empty-handed i have an honest heart. although I bring broken hearted on baggage i can not cry. i can not smile. look... my eyes are cloudy. i have not strength... i can fly, but I am falling in darkness myself. i am drowing ever again. hold my hand. i just want to sleep on this cold night... kauana costa 13/11/2016

atraso

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e às vezes não dá para esconder o ciúme. é muito difícil ver suas fotos felizes ao lado dele... como se nada abalasse aqueles sorrisos congelados no tempo e no espaço. eu não soube ver quando era hora... e agora o que me resta? aqueles teus olhos negros a dizer-me o que eu não consegui traduzir... hoje, conversam com os dele nas fotos felizes no tempo e no espaço que eu só posso ver... kauana costa 30/12/2016

de esperanças

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diante do espelho o que vejo são restos... restos do sorriso manchado pelas lágrimas que derramei a noite toda. dizem que há esperança em todos os amanhãs. mas amanhãs não são tão esperançosos assim... diante do espelho o que vejo são sombras... sombras de uma felicidade que se foi distante junto com tua partida. kc - 23/05/15

dormência

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existe um momento entre a dor e o desespero que nada mais parece te atingir... é como se você tivesse criado uma barreira que rebatesse de volta todas as tristezas que poderiam vir em seguida... também é nesse momento que você tem disposição de encarar tudo de uma única vez, como se fosse um ser inabalável... por alguns instantes você se sente forte o suficiente para dizer tudo o que está represado... deságua a sua raiva, a sua indignação, tenta ferir a pessoa que te traiu para que ela sinta o mínimo do que está te ferindo... chega um momento entre a dor e o desespero em que a dor te anestesia... chega um momento, mas é só por um momento... kc 01/11/2014 *  *  * "and there's no remedy for memory your face is like a melody it won't leave my head your soul is hunting me and telling me that everything is fine but I wish I was dead" (dark paradise - lana del rey)

se eu fosse teu ninho

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por que você foi morar tão longe de mim? longe dos nossos sorrisos na praça... longe dos meus braços - abraços - laços... longe dos meus olhos - da minha ilusão - da minha alegria... a primeira vez que que te vi, não pensei em mais ninguém, você era a pessoa mais linda que eu conhecera... mas aí, você se foi... desistiu quando eu já sabia que você estava chegando com o seu passo tão sonoro, tão característico, tão seu... mas aí, você resolveu partir quando eu descobri que você era a pessoa mais incrível da minha vida, a pessoa mais silenciosa e carente que precisava tanto de mim... mas aí, você teve que ir quando eu não podia te deixar voar... você voou... foi parar em outros ninhos... e amou outros lábios e se aconchegou em outros braços... enquanto eu apenas rezo e espero que você esteja bem em algum lugar desse novo ninho que você pousou... kc 27/10/2014

confidência

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não é que deveriam me entender... nem sempre as pessoas fazem isso direito, mas existe sempre um alguém que te observa... que te percebe no meio da multidão, que te vê, que te escuta... mas mesmo assim, essa descoberta assusta um pouco... não sei se te contei... mas a intensidade das coisas dá medo... muito medo... k.c. 09/08/2013

lama

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não é sobre coisas importantes, é apenas sobre coisas tristes que não te deixam dormir por mais que você queira... é apenas sobre coisas que doem mesmo que se tenha a plena consciência de que a realidade é dura... já que não se pode negar chance às pessoas, pois elas encontram uma maneira de tentar alcançar o que desejam... e nessa empreitada, ferem outras no meio do caminho... já não é mais sobre coisas importantes, não é mais apenas sobre coisas tristes... no fim das contas é só sobre coisas que vão desmoronando seu castelo como se fosse água da praia que derruba o castelo de areia e o arrasta junto consigo como se no fundo do mar fosse o seu lugar... kc 06/08/2013

mãos dadas

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e tu arrancas o meu sorriso desse jeito sufocando-me com teu silêncio esmagador... sinto o agudo rebuliço desafinando os nossos doces acordes momentâneos... tão efêmeros! a harmonia dos nossos idílios desfaz-se como castelo de areia... teus olhos fixam-se além, não me notam... ignoram-me! mas apesar de meus olhos esbarrarem em tuas costas frias, ainda sinto o calor de nossas mãos dadas! kc 18/04/2013

quando você estava aqui

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você dizia que não haveria fim... era engraçado como eu acreditava que era dessa forma. aquele amor não morreu ao atravessar a porta, você que fez questão de levá-lo para bem longe de mim... não digo que morreu, definhou, secou de uma vez... mas faz tanto tempo que, às vezes, parece que você nunca existiu... k.c. 29/09/2012

por inteiro

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não é pressa o que eu tenho, mas se você quiser chamar de ansiedade, esteja à vontade. na verdade, é muito fácil falar quando não se sente nem a metade do que eu sinto. não sei amar ou gostar de alguém pela metade. amo com intensidade, às vezes, na mesma proporção com que irei sofrer, mas já disse, não sei me doar pela metade. então, talvez não seja pressa, talvez não seja ansiedade, ou talvez seja... a verdade é que tudo em mim é mais do que verdadeiro, é intenso. k.c. 13/05/2012 

aos abutres que te cercavam

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tua vida negra tinha uma aura de beleza que no fundo cintilava brilhava, reluzia... mas tu não sabias, tua a vias negra, porque eles disseram que era. sempre estive a observar teus passos por onde quer que fosses, o teu fraco coração trêmulo a palpitar e eles ao teu lado como sombras a te seguir... tu sabias, mas não vias. tu não querias. a vida, a tua pouca vida, tu não a vivias, tu a guardavas. guardavas para que tua felicidade fosse herdada. tu não sabias, mas eles já haviam te arrancado tudo: teus olhos, pele, coração e inclusive tuas asas. kc 03/03/2010

nº 1

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- você está chateada com alguma coisa? - você percebeu? - não era pra eu ter percebido? desculpe, então... - na verdade, eu queria que um alguém em especial percebesse isso. você sabia, palavras doem, elas são como sementes... eu estava ali, ela não. aquele seu olhar distante tentando esconder uma dor bem lá no fundo... olhei-a mais uma vez. provavelmente ela falava dele. por que era tão difícil deixá-la voar? mas o que eu podia fazer? - desculpe ter prestado tanta atenção... - tudo bem, meu pai nunca iria perceber isso. e saiu. por um instante meu coração se tranquilizou. não era outro cara. mas mesmo assim ela voou. um voo longo. distante. talvez fosse esse o nosso destino. eu não era tão corajoso nessa cadeira de rodas. kc 2012

quanto tempo dura o que é eterno?

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e ela foi. há muito tempo que se sentia sozinha. ele também. eram apenas bons amigos. grandes amigos. conversaram. compartilharam saudades, tristezas. solidão. era difícil para ambos conviver com a falta da pessoa amada. mas eles eram apenas amigos e jamais iriam magoar um ao outro. eram mais leais a isso. na despedida, se abraçaram. um longo abraço. um forte abraço. "quanto tempo dura a eternidade? às vezes, um instante..." ambos sentiam que aquele momento passaria. ela pensou no seu amado... longe. ele também e disse: - sabia que por mim eu passaria o dia todo assim? abraçou-o mais forte ainda. sentiu-se bem com aquilo, mas sabia que ele não dizia isso para ela. kc 2012

desnudamentos

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não somos mais crianças em que desvendar o sexo do outro era a maior descoberta do mundo. ou simplesmente uma aventura inocente. meu corpo não carrega mais vestígios de infância. tenho seios. e meu ventre pode gerar. ainda assim queres apenas me desvendar, numa espécie de nudez pura e absoluta. meu bem, só você para querer algo assim. não sou irmã da malícia ou do pudor, mas não sou aquela menina da fazenda que corria o campo cabelo contra o vento achando que nunca iria crescer... queres apenas me descobrir... tolo. nem eu mesma pretendo isso. ousadia tua? para mim não passa de uma tolice mais uma de tuas distrações. não quero ser desvendada, quiçá descoberta. quero ser vista, quero ser notada pelo que sou. pela mulher que me tornei, sem meros artifícios... sem meros fetiches... me assuma! ou me encare como se eu fosse uma simples delinquência de verão. ou me aceite como se eu fosse apenas uma distorção da tua realida...

álibi

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e ali em frente à tela do computador, tomando seu leite quente com biscoitos, queria poder fazer alguma coisa mais útil. balançava o pé indiferente àquilo que via. só doía quando olhava no espelho. soube finalmente que já não se importava mais e suspirou. do que se ocuparia agora? era especialista em inventar novas dores... novas quimeras... o que fotos podiam falar? derramou o leite no teclado... levantou-se e foi limpar a bagunça... agora tinha motivo para justificar suas delinquências...  teria que comprar um novo teclado para o computador, mas no fundo preferia poder comprar um novo coração. k.c. 28/01/2012

lábios

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aqueles lábios, meu bem, nunca serão como os teus. posso perambular, vagar por bares, por ruas e nenhuma boca será a mesma. nenhuma boca será a tua. nenhum beijo que eu prove (ou que tenha provado) depois do teu assemelha-se ao desejo ardente que eu sinto quando te beijo ao penetrar-lhe a alma usando apenas a minha língua. kauana costa 03/01/2012

a mulher da manhã

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a mulher que te acorda carrega com ela a aurora dos teus olhos carrega com ela a manhã dos teus cafés são os teus pés que esfriam sem o cobertor é de manhã: - acorde, meu bem... kauana costa 26/10/2009

latet anguis in herba

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eu era senhora de mim. senhora de todas as coisas. dona altiva e ladina desses sentimentos indomáveis. mas tu soubeste me achar. soubeste arrancar-me do meu cômodo. arrancaste-me de mim mesma. eu era senhora de mim. senhora de todos os dizeres. dona eleita e segura da razão entre o bem e o mal. meu bem-querer: tu foste o mal em forma de anjo, doce e sereno como menino-nascente. obrigou-me a querer-te bem como mãe, de infinito, contente... tu eras a serpente escondida na erva. meu mal homeopático: tu fechaste os meus olhos. calaste a minha boca. tapaste os meus ouvidos... tu querias viver da minha vida. comungar da minha alegria. mas tu, tu querias muito mais ainda... levaste contigo o passarinho cativo e ficou-se a gaiola a bater de quando em quando - vazia. kauana costa 24/05/2010

agressão verbal

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eu vou te despedaçar todas as vezes que eu lembrar das coisas que você me fez. vou te despedaçar aos pouquinhos para que sintas devagarinho toda a dor que me causou. e depois de despedaçado eu vou queimar cada pedaço usando apenas a minha saliva e depois enterrarei as suas cinzas embaixo da minha cama. kauana costa 21/01/2011

além da escuridão de mim mesma

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se eu te digo que estou cansada é porque estou. a estrada é longa e o caminho é árduo. guia-me pela mão. a distância que nos separa é a de um abraço. um abraço além daquele monte na curva do horizonte. mas nossos olhos um dia se encontram e resolvem nossos problemas. k.c. 12/12/2011

parece que nem aconteceu

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" Desviarei meu olhar, será doravante a minha única negação. " Bacon e aqui estou eu novamente a relembrar daquele dia. daquela noite entre os livros... mas ao mesmo tempo que sei que aconteceu é como se nunca tivéssemos existido juntos naquela noite. você não consegue me entender e nem eu. o que eu sei de mim? bom, sei onde ficam os meus dedos dos pés, o que já é um começo. sei que às vezes não me suporto, mas é da vida. quem se suporta todos os dias? se estou arrependida? não. eu não me arrependo do que faço, nem do que deixo de fazer. tenho plena consciência de que o que não fiz, não fiz porque não quis e de que o que fiz, fiz porque quis. e eu quis nós dois naquela noite. quis. agora não quero mais... quis tanto que consegui e perdeu toda a graça. queria poder dizer que foi diferente, mas não me arrependo. de que me arrependeria? não me traí. a mim não fiz mal algum... e nem a ninguém... parece que aquilo nem aconteceu,...

mente inquieta

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minha mente, muitas vezes inquieta pensa além... além do mar, além do céu... pensa que pode o impossível... pensa que é mais em tudo... essa mente inquieta pensa que é o sol e é. sabe por quê? porque a minha poesia chega aonde ela não pode ir... ela ultrapassa os limites da quarta dimensão. kauana costa 30/11/2011

olhares perdidos

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olho-te. tu não me olhas. percebo. mas tu não percebes. não percebes que esse olhar que tu achas sempre o mesmo nunca será o mesmo. tu me olhas. tu percebes. mas vê apenas o que não é necessário. kauana costa 26/11/2011

sonho bom

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sonhei com você. sonho ambíguo. como há muito não tinha sonhado. sonhei com seu sorriso. sonho antigo. aquele você faz tempo sumiu-se, partiu-se... sonho bom. sonho estranho. teu beijo no meu beijo: saudades do que nunca foi. sonho intermitente insistentemente insistente. a imagem dos teus olhos a dizer-me o nunca dito não sai da minha cabeça. o interdito das paixões um dia avassaladoras. foi-se na imaginação em algum instante roubado. sonhei com você. sonho bom. sonho estranho. kauana costa 18/11/2011

o rútilo e o nada

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sinto o prenúncio de que algo aqui quer doer mais do que deve doer. as dores comedidas são dores suportáveis, mas as dores impulsivas surgem de repente, quando um acontecimento trágico ou até mesmo esperado (mas relutantemente rejeitado) se apresenta diante dos olhos e do coração. que mal te fiz vida? que mal fiz eu à saudade? que mal fiz eu a mim e a você? enigmaticamente, apresenta-se diante de meus olhos o escarlate da dor maior e triunfante. meus sonhos prenunciam a chegada inexorável da amazona indomável... que fiz eu de errado? o máximo que fiz foi amar-te mais do que se pode amar alguém em vida. mais do que se pode amar alguém em morte. amar como se eu te conhecesse desde os tempos mais imemoriais, amar conhecendo em cada gesto, fala ou olhar o que tu queres me dizer e não o dizes. todo amor carrega com ele o seu reverso. carrega com ele o rútilo e o nada. kauana costa 11/11/2011

escarlate

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" Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara ."  Caio Fernando Abreu. a mão com esmalte escarlate é a minha. o coração que estala e bate é o meu. os olhos que piscam: debate de um eu que enxerga além. mas essa alma, e que saudade! é ela que te quer bem. kauana costa 11/11/2011

o beijo perdido

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sabe aquele beijo, meu bem? voou longe nas ideias... lembro-me dele como se fosse um sonho que nunca se realizou. é estranho, muito embora não me saia da cabeça, em tardes quentes e solitárias, a imagem dos teus lábios nos meus, é como se nunca tivesse acontecido. k.c. 30/10/2011

esse moralismo

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esse moralismo barato (mas ainda assim esse moralismo) me impede de você. me impede de abraçar-te, de querer-te. esse moralismo moralizante me proíbe de você, mas não proíbe meus pensamentos, desejos e aspirações... ai, e agora Narciso? o que faço contigo? kauana costa 25/10/2011

a chegada de narciso

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queria dizer ao mundo as coisas que me afligem, mas ele não resolverá meus problemas. não consertará meus defeitos, não acalmará minhas inquietudes. não me mudará. quero mudar? talvez... meus pensamentos vêm me traindo, a quem recorro? [o que quero eu? o que quero de mim?] quero você de volta com tranquilidade, com paciência... quero nosso amor maduro, sem interrupções, sem obstáculos... mas há defeitos, há partes desencaixadas em mim... partes que agem independentemente de minhas decisões... partes irracionais... mas ainda é você que eu vejo em mim... kauana costa (15/10/2011)

este mar

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há um oceano dentro de mim. um oceano de sonhos, de dores enfim... mas há um oceano e esse oceano atravessa as fronteiras do meu eu. esse eu que não conheço. um eu que sabe que existe e que quer se fazer presente, mas é preciso atravessar um imenso oceano. este mar que me invade... sou eu! este mar... é apenas a minha verdadeira eu vagando ao balanço das ondas enquanto a eu que impera toma conta para que ela continue presa: ilhada. quando essa eu me libertar, o que será de mim? nem eu sei... mas sei que eu serei mais livre do que todos os pássaros que me levarem junto. kauana costa 13/10/2011

nudez

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tiro de mim essas amarras... as roupas também são amarras, elas apertam... ocultam... talvez vocês não me conheçam. aliás, creio que nem eu mesma me conheço ainda. mas me despeço de algumas amarras. isso já é um grande avanço. essas amarras ficaram para trás. novas amizades surgiram, eu que achava que não tinha tantos amigos. mas tenho amigos suficientes. amigos que me amam e me apoiam. e também tenho uma pessoa maravilhosa em minha vida. a primeira pessoa, depois dos meus pais, que me amou e me ama como eu sou. sofri na escola com piadas e maldades de adolescentes, mas qual "gênio" não sofreu com isso? não me comparo a um gênio, apenas me sinto bem e livre. livre daquelas amarras que eu e você conhecemos tão bem... kauana costa 11/10/2011  

espelho melancólico

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o que está aqui dentro é possível que tu adivinhes. é possível que até acertes... mas erres de melancolia. de vencida já fui da vida. outro baque e sou apenas eu diante do espelho. kauana costa 18/09/2011

o jardim

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- acompanha-me?  perguntava uma vozinha vinda do alto. pensava, devo estar ouvindo coisas, estou sozinha nesse jardim... e a voz mais alto insistia: - acompanha-me? olhava ao redor intrigada, será que ouvia vozes? não... certamente deveriam ser crianças correndo pelos arrabaldes. - acompanha-me? irritou-se, de onde viria aquela voz - agora sabia que não era de criança, mas de um homem. estaria sendo assediada? apavorava-se ao pensar nessas coisas... estava sozinha no jardim, ela e o balanço. - acompanha-me? teu medo não me assusta... eu também não te assustarias se para mim você olhasse. não sentia medo, não mais... e tentava atinar de onde viria aquele som tão suave. olhou a sua esquerda e nada viu, olhou a sua direita e também nada viu. poderia olhar para o chão, mas o que veria além de seus pés? viria de cima? - olha... a voz lhe convidava. olhou e reconheceu na figura que viu a pessoa que procurava a vida toda...

o lobo

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“ Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir ”. (Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina" – Clarice Lispector) estas unhas que te arrancam os espinhos mais profundos – espinhos mortais – são para te acalmar. esta boca cruel que ...